domingo, 27/mar/2016 às 01:23pm

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Imagem de Amostra do You Tube

 

Ir ao MIS–SP visitar a exposição “O Mundo de Tim Burton” é uma experiência de ensinamento sobre a importância de como perseguir sonhos sem abrir mão de talentos primordiais em contato com os mundos real e suprarreal.

Irônica e ácida, romântica e futurista, a obra em construção de Tim Burton reflete o espírito #goticosuave que tem embalado toda uma geração de adolescentes pós-emo; os mesmos que estão nos corredores da mostra, muitos deles com seus caderninhos desenhados ao vivo enquanto se emocionam com a poesia do mestre.

Tim Burton constrói um mundo idealizado, rabiscado em guardanapos de papel, cobrindo paredes com naquim, caneta hidrográfica, pastel, aquarela, feito uma criança (crescida) que decora as paredes do quarto-refúgio com seus amigos imaginários.

Ao longo da exposição, as imperfeições dos personagens de texturas improváveis e contraditórias se revelam como fio condutor dos relacionamentos – família, amor, amizade – e das emoções peculiares – inveja, raiva, doçura – com que embala seus roteiros.

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AUTOBIOGRÁFICO

Sim, ele é um aficcionado pelo cinema trash de terror, mas surpreende ao revelar “8 1/2”, de Federico Fellini, como uma referência para sua obra. Quer dizer, nem tanto, se observarmos que o longa de Fellini retrata o ambiente criativo, suas crises e angústias como pano de fundo para um filme autobiográfico.

É verdade. Tudo na obra de Tim Burton é autorreferente, como já mostrava o brilhante “Vincent”, primeira animação realizada pelo artista em 1982.

Criado em stop motion – como o fenomenal “O Estranho Mundo de Jack” – o desenho animado expõe um Burton apaixonado pelo romantismo dark de Edgar Allan Poe, sonhador, delirante, malvado e cativante. Como ele mesmo deixa transparecer no pouco conhecido “Luau”, também de 1982, que traz uma cabeça alienígena sem corpo – interpretada pelo próprio diretor – como protagonista.

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CABEÇA-SEM-CORPO-SEM-CABEÇA

Cabeça sem corpo ou corpo sem cabeça são temas recorrentes em sua cinematografia, pinturas e desenhos – veja o Gato de “Alice”; o cientista interpretado por Pierce Bosnan no incompreendido “Marte Ataca” (verdadeiro tapa na cara da sociedade americana) e, obviamente, “A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça”.

Para Platão, a cabeça humana é comparável a um universo, é um microcosmo, podendo um corpo que segura sua própria cabeça ser interpretado como a crença de que o carrasco não tirou a vida de sua vítima. Que aquele corpo (e/ou cabeça) continua a viver e agir sobre o poder que o mata, visão compartilhada por todos aqueles que acreditam na vitória do espírito – ou da fantasia concretizada em technicolor. Nos sonhos todos podemos ser imortais.

Um olhar comportamental sobre sua obra atualiza a busca pelas emoções verdadeiras que se fazem necessárias para dar vida ao cotidiano banalizado em touchscreen. Tudo em Burton reforça a importância que o feito à mão associado à tecnologia tem ganhado nas indústria criativas. No mundo de telas frias, é importante convidar ao calor e à emoção do toque.

Tim Burton é dos nossos e sua obra confirma que é impossível imaginar mais o mundo sem esse valor. Eis um caminho sem volta, tal como ultrapassar (mesmo sem querer!) a cortina que encerra a exposição para retornar à vida real.

Shhh… Que venham suas crianças peculiares!

01. Ténèbres – Derniére Volonté

02. Les Rêves Dedorian –/ Derniére Volonté

03. Angel – Sepultura

04. If I Had a Heart – Fever Ray

05. Ball of Confusion – Love And Rockets

06. Ballad of Dwight Fry – Alice Cooper

07. Bela Lugosi’s Dead – Red Axes

08. Nature’s Maetamorphosis – Daemonia Nimphe

09. Kyoto Song – The Cure

10. Sweet Dreams – Marilyn Manson

11. What a Difference Does It Make (feat.The New London Children’s Choir) – Ebony Bones!

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02/05/2016 às 10:54
Seta

Andava com saudades eternas de suas mixtapes. Que dlliça esta. :)

08/08/2016 às 14:43
Seta

volte sempre. muito obg