Em duas horas e meia, a experiência sonora Terruá Pará promoveu um passeio pelos ritmos amazônicos produzidos no Estado. Ponto para as ações governamentais que buscam uma imagem mais positiva e menos de faroeste caboclo para sua história. Chegou a hora e a vez do Pará.
Durante o show, impossível não lembrar a morte dos líderes extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e sua mulher Maria do Espírito Santo, em uma estrada no leste do Pará. Não que houvesse ali algum discurso explícito sobre a problemática e violenta situação em que se encontram as lideranças comunitárias e o movimento camponês que já contabilizam no Estado 800 assassinatos no campo.
Mas o espetáculo inspira o desejo de que essa mensagem musical sirva de farol para uma nova política cultural de conscientização social por meio da arte, levando aos lugares mais distantes a importância dos processos colaborativos para a transformação de uma “terra de ninguém” em território de paz.
Depois de um longínquo e promissor Ciclo da Borracha, suas riquezas, transformações culturais e sociais, Belém – a Paris n’América, como foi chamada durante aqueles tempos áureos – agora é o epicentro de uma nova revolução cultural.
Dessa vez, o produto é a diversidade musical, traduzindo com vigor toda a tropicalidade, criatividade, sensualidade dos filhos da floresta e sua atemporalidade, em narrativas tradicionais e/ou urbanas.
E sob a batuta do maestro Luiz Pardal, ressoam as cordas mágicas de Sebastião Tapajós; a poesia de Paulo André Barata; o tacacá caliente de Dona Onete; a inteligência visionária de Pio Lobato; o suingue erótico de Mestre Solano; a mescla sonora de Manoel e Felipe Cordeiro; a força feminina do Charme do Choro; a leveza de Lia Sophia e Luê Soares; a energia da Gang do Eletro, do DJ Waldo Squash e de Gaby Amarantos.
Sendo, sobretudo, a paixão que move a Orquestra Juvenil de Violoncelistas da Amazônia, a responsável pelo resumo dessa ópera popular, que, diferentemente dos delírios de um Fitzcarraldo – o “Conquistador do Inútil” –, começa a erguer na floresta o sonho possível de um novo palco tropical para o Brasil.
Depois do show, lá fora do Teatro Ibirapuera, o Conjunto de Carimbó Uirapuru se despedia do público com magia ritual, batendo tambores e ecoando na bruma que cobria o parque a mensagem final: “Embarca, morena, embarca / molha o pé mas não molha a meia / viemos de nossa terra / fazer barulho na terra alheia”.
Um convite para que muitos outros Terruás nos tragam os sons e os temperos do Pará. Só faltou a comida, ali em barraquinhas de desgustação ao redor do teatro.
E como bem disse Gaby Amarantos, basta segurar na mão a saia imaginária e sair por aí dançando o carimbó. É gostoso.
Shhh… Foi assim.
- 01. Orquestra Juvenil da Violoncelistas da Amazônia
- 02. Meu Louco Desejo – Dona Onete
- 03. Ai Menina – Lia Sophia
- 04. O Carimbó De Nossa Terra – Conjunto Uirapuru
- 05. Fanzine Kitsch – Felipe Cordeiro
- 06. Eletrocumbia – Gang Do Eletro
- 07. Americana – Solano & Banda
- 08. Cultura do Pará – Pio Lobato

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A hora e a vez do Pará! Chegou gostoso!
affe, traduziu em lindas palavras o turbilhão de emoções de ontem! foi lindo! A música do Pará é magia pura! <3
isso e muito mais vc só vai encontrar no Pará! amey o post, me senti lá!
náo da pra ficar parado…musica q remexe…mexe… é gostoso demais….alegria…vivacidade…musica popular brasileira…
Emocionante! Texto lindo, gato!
Tudo de Bom!!
Demais!!
mergulhei de cabeça no Pará! e vou ficar rodando a saia
muito bom!
demais os violoncelistas da Amazonia!
que texto incrível, jax! quando digo que vc me inshhhpira…
é isso aí paraense tem tucupi na veia!!!!